Temas atuais e desafios da especialidade estiveram no centro dos debates do 20º CBCJ 

Além da intensa programação científica e prática, o 20º CBCJ também se destacou pelas discussões sobre temas factuais e desafios contemporâneos da especialidade, promovendo debates relevantes sobre evidências científicas, novas tecnologias e posicionamentos que impactam diretamente a prática clínica. 

Entre os temas abordados estiveram o uso de ortobiológicos na osteoartrite (OA), a atualização do Consenso de Infecção (MSIS), novas soluções para revisão de artroplastia de joelho e o avanço da Inteligência Artificial aplicada à cirurgia do joelho — assunto que despertou grande interesse entre os congressistas ao discutir como ferramentas tecnológicas já começam a transformar o planejamento cirúrgico, a análise de dados e a tomada de decisão médica. 

Ortobiológicos e o desafio da prática baseada em evidências 

No campo dos ortobiológicos, um dos grandes destaques do congresso foram as discussões sobre terapias que vão desde o ácido hialurônico até produtos biológicos derivados do próprio paciente, como PRP, derivados da medula óssea e da gordura. 

Segundo o Dr. Carlos Franciozi, membro da Diretoria da SBCJ, o congresso deixou claro que essas terapias atuam principalmente por sinalização celular, modulando inflamação, reduzindo dor e, em alguns casos, estimulando processos de reparação tecidual, especialmente no contexto da artrose do joelho, tema amplamente debatido durante o evento.

De acordo com o especialista outro ponto importante foi ajudar o cirurgião de joelho a compreender melhor as diferenças entre os produtos e responder a três perguntas fundamentais da prática clínica: em quem usar, quando usar e como usar. Também foram discutidas as situações em que determinadas terapias não devem ser indicadas, seja pela ausência de respaldo científico ou pelo risco de mascarar resultados clínicos. 

O congresso também trouxe discussões relevantes sobre a possível liberação do PRP pelo CFM para utilização em consultórios, reforçando a necessidade de o especialista se familiarizar cada vez mais com essas terapias, entendendo suas indicações, limitações e o real respaldo científico de cada abordagem. 

Regeneração da cartilagem esteve entre os destaques 

Um dos assuntos que gerou grande repercussão foi a discussão sobre regeneração da cartilagem e os limites atuais dos tratamentos disponíveis. Durante os debates, os especialistas reforçaram o posicionamento da SBCJ de que, apesar dos avanços científicos e do surgimento de novas terapias, ainda não existe, até o momento, um método capaz de promover a regeneração completa da cartilagem articular. 

“A regeneração de cartilagem, no sentido de fazer a cartilagem articular perdida crescer novamente de forma previsível em humanos, como se fosse um ‘rabo de lagartixa’, infelizmente ainda não é uma realidade clínica”, afirmou Franciozi. 

Segundo ele, os tratamentos disponíveis atualmente atuam principalmente por sinalização celular: modulam inflamação, aliviam dor, protegem o tecido remanescente e podem estimular processos de reparo, mas ainda não regeneram de forma comprovada a cartilagem perdida na artrose. 

O papel das células-tronco e os avanços científicos 

Franciozi destacou ainda que parte da confusão em torno do tema surgiu da interpretação equivocada sobre o papel das chamadas células-tronco. “Na prática clínica, seu efeito parece ser muito mais parácrino e imunomodulador do que de substituição direta do tecido perdido”, explicou. Por isso, o termo “células medicinais sinalizadoras” vem sendo considerado mais adequado atualmente. 

Também foram debatidos tratamentos utilizados na prática clínica, como infiltrações, terapias biológicas, transplantes osteocondrais e técnicas cirúrgicas de reparo da cartilagem. Segundo os especialistas, muitos desses métodos promovem cicatrização e formação de fibrocartilagem — um tecido reparador com propriedades biomecânicas inferiores à cartilagem original. 

Durante o congresso, ainda foram discutidos estudos recentes e promissores, como pesquisas envolvendo a enzima 15-PGDH, associada ao envelhecimento da cartilagem. Apesar dos resultados experimentais positivos em modelos pré-clínicos, os especialistas reforçaram que ainda não existem evidências de regeneração efetiva da cartilagem articular em humanos com artrose estabelecida. 

Combate à desinformação e responsabilidade científica 

Esta 20ª edição trouxe também reflexões importantes sobre a disseminação de informações sem comprovação científica envolvendo supostas terapias “milagrosas” para regeneração da cartilagem, reforçando a importância da medicina baseada em evidências e do papel das sociedades médicas na orientação segura de pacientes e profissionais. 

Em um cenário no qual muitos pacientes buscam informações nas redes sociais e acabam expostos à desinformação e a promessas irreais, Franciozi ressaltou a importância da comunicação responsável e da educação da população. Nesse contexto, destacou iniciativas como o Dr. Kneevaldo, no Instagram da SBCJ, voltadas à divulgação de informação de qualidade em linguagem acessível para o público leigo. 

Compromisso com a atualização científica responsável 

Ao promover debates francos sobre temas que ainda geram dúvidas tanto na comunidade médica quanto entre os pacientes, o 20º CBCJ reafirmou seu compromisso com a atualização científica responsável, o pensamento crítico e a discussão qualificada dos principais desafios da Cirurgia do Joelho contemporânea. 

Confira o que o Dr. Moisés Cohen destacou sobre um importante tema apresentado no evento  

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Author: visana