Confira a entrevista com o Presidente Dr. Guilherme Abreu

Assumir a presidência da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho marca um momento de grande relevância na trajetória do Dr. Guilherme Abreu, mineiro de Belo Horizonte, que se torna o quarto presidente do estado a liderar nossa Sociedade.

Filho de ortopedista, imerso na especialidade desde cedo e há 20 anos atuando na Cirurgia do Joelho, Dr. Guilherme assume o desafio de representar mais de 2.300 associados em todo o País, e projeta uma Sociedade ainda mais atuante, conectada e reconhecida, reafirmando a Cirurgia do Joelho brasileira como referência de qualidade no cenário nacional e internacional.

Nesta entrevista ao Jornal JOELHO, ele apresenta os principais pilares de sua gestão. Educação médica continuada, qualificação da formação, fortalecimento da defesa profissional, integração dos grupos regionais e ampliação do diálogo com os associados estão entre os temas abordados, além das expectativas para os eventos científicos, como o nosso grande CBCJ, que ocorrerá em Campinas, em abril deste ano. Confira a seguir a entrevista com nosso Presidente!

Assumir a presidência da SBCJ em 2026 representa um marco importante em sua trajetória. O que esse momento significa para você, pessoal e profissionalmente?

Dr. Guilherme Abreu – Sinto-me muito honrado pelo cargo que hoje ocupo. Ao mesmo tempo um sentimento de responsabilidade imenso, pois representamos, enquanto diretoria, um grupo muito qualificado de especialistas que atuam em todo nosso País. Sou a segunda geração de ortopedistas da minha família. Como filho de ortopedista, desde pequeno respiro ortopedia. Nos últimos 20 anos da minha vida, vivo a Cirurgia do Joelho de forma muito intensa. Não há sentimento mais gratificante do que trilhar este caminho. 

Você é o quarto presidente mineiro da história da SBCJ. Como vê essa representatividade de Minas Gerais dentro da Sociedade e o que isso simboliza para a entidade?

Minas Gerais é um estado muito importante para nosso País. Costumo dizer que é um resumo geográfico do Brasil. Somos e recebemos influências de todas as regiões. A ortopedia mineira teve um importante papel no desenvolvimento da especialidade. Podemos citar aqui dois grandes nomes que trouxeram a ortopedia para Minas Gerais no meio do século XX: Prof. Dr. José Henrique da Matta Machado e Prof. Dr. Márcio Ibrahim de Carvalho. Mais adiante, com a fundação da nossa SBCJ, o Prof. Dr. Neylor Pace Lasmar, seguido pelo Prof. Dr. Marco Antônio Percope de Andrade e depois pelo Dr. Wagner Guimarães Lemos, que ajudaram a moldar nossa SBCJ. Interessante destacar que o Prof. Neylor Lasmar foi um dos fundadores da SBCJ, no início da década de 80. Suceder todos estes grandes nomes, sem sombra de dúvida, é uma grande honra.

“Os ex-presidentes Prof. Dr. Neylor Pace Lasmar, Prof. Dr. Marco Antônio Percope de Andrade e Dr. Wagner Guimarães Lemos ajudaram a moldar nossa Sociedade

Quais serão os principais pilares e prioridades da sua gestão à frente da SBCJ em 2026?

A SBCJ tem como uma grande missão fomentar a educação e a qualidade de formação dos cirurgiões de joelho no Brasil. Hoje somos mais de 2.300 sócios. Os projetos que nos últimos anos têm sido realizados ajudam o jovem ortopedista na sua formação. Nossa plataforma de conteúdo científico disponível exclusivamente para os sócios contemplam temas diversos, conteúdo de atualização em diferentes formatos, permitindo uma rica imersão científica para os sócios. Um papel fundamental da SBCJ é certificar todos os centros de formação espalhados pelo Brasil. Temos uma comissão (Comissão de Ensino e Treinamento – CET) com função específica de realizar a prova de proficiência anualmente, bem como atualizar o status de cada centro de formação, de acordo com o desempenho de seus candidatos e de sua produção científica.   

Quais ações estão previstas para fortalecer o vínculo com os associados e ampliar os benefícios oferecidos neste ano?

A SBCJ tem um grande desafio de crescer sem perder sua essência. Entendemos que a SBCJ é uma sociedade em sua maioria formada por jovens profissionais, que vivem realidades profissionais distintas, cada um com sua peculiaridade. Entender a mudança geracional, as formas diferentes de comunicação linkada às novas tecnologias, sem dúvida, serão os desafios para os próximos anos.

A educação médica continuada é uma das marcas da SBCJ. O que os sócios podem esperar em relação a eventos científicos, cursos e atualização profissional durante sua gestão?

A SBCJ vem trabalhando para ampliar parcerias com outras sociedades, tanto na América Latina, como na Europa. Eventos no formato de webinars estão programados com várias sociedades ao longo de 2026. Entretanto, o evento científico mais importante de 2026 será o Congresso Brasileiro de Cirurgia do Joelho, que ocorrerá em Campinas em abril. Teremos participantes de várias regiões do mundo, bem como nomes importantes do cenário nacional.

A atuação institucional e a defesa profissional têm ganhado cada vez mais relevância. De que forma a SBCJ continuará avançando nessa área em 2026?

Esta é uma área importante. Entendemos que a valorização profissional justa e digna para os cirurgiões de joelho deve ser nosso foco. A SBCJ, por meio de assessoria jurídica especializada, entendeu que o modo de atuação mais eficaz é através do Comitê de Defesa Profissional da nossa Sociedade-Mãe, a SBOT. Por lá conseguimos reunir todas as ferramentas para reivindicar melhorias da qualidade profissional em todo Brasil. Como resultado já visto, criamos juntamente com a SBOT um manual de codificação de procedimentos ortopédicos na Cirurgia do Joelho, como compatibilização de códigos e materiais (OPME) a serem utilizados como referência por hospitais e convênios. Foi um trabalho dos nossos colegas Dr. Marcio de Castro Ferreira e Dr. Rodrigo Salim, que atuaram arduamente para criar o conteúdo referente aos procedimentos cirúrgicos do joelho. Conseguimos ainda incluir na próxima edição da CBHPM códigos não existentes anteriormente, como artroplastia parcial do joelho e revisão de artroplastia, com valorização compatível com o porte cirúrgico, bem como revisão da artroplastia por infecção.

E quais os projetos voltados para fortalecer a integração entre os grupos regionais?

Hoje temos uma atuação intensa dos clubes do joelho em todo Brasil. Colegas de vários locais do Brasil se reúnem mensalmente para trocar experiencias, além de manter o vínculo social. Acho que nunca tivemos tantos clubes do joelho assim. Podemos citar clubes do joelho no RS, MG, ES, SP, RJ, GO, BA, AM, entre outros. As Jornadas Regionais também continuam sendo eventos de relevância dentro da SBCJ e em 2026 teremos três jornadas já confirmadas: Norte, em Porto Velho (RO) e no Sudeste em dois locais: Vitória (ES) e Búzios (RJ).

Para finalizar, que mensagem gostaria de deixar aos sócios da SBCJ neste início de gestão?

Tive a honra e o privilégio de participar nos últimos anos da Diretoria da SBCJ. Penso que o caminho trilhado até aqui, por tantos colegas que passaram pela SBCJ, gerou uma condição muito organizada de gestão, conhecimento e planejamento. Entendo que o futuro da nossa SBCJ é de buscar sempre um papel de destaque no fomento à educação, controle da qualidade da formação dos fellows em Cirurgia do Joelho, além da execução de atividades científicas de alta qualidade. Acho que hoje podemos dizer que a Cirurgia do Joelho brasileira desponta como marca de qualidade, respeito e reconhecimento mundial. Exemplo de que nada se constrói de forma individual, mas como uma soma coletiva de esforços. Temos o dever de seguir este caminho.

Nos últimos 20 anos da minha vida, vivo a Cirurgia do Joelho de forma muito intensa. Não há sentimento mais gratificante do que trilhar este caminho