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Caso clínico

Rotura completa de tendão quadricipital bilateral

Resumo:

Dor e impossibilidade de estender os joelhos, sem conseguir deambular a dois anos.

 
Paciente (dados):

56 anos, sexo masculino.

 
História:

Sentiu estalido nos dois joelhos ao subir escada. Após o quadro apresentou impotência funcional não conseguindo deambular. Procurou atendimento médico em hospital secundário onde foi examinado. Foram realizadas radiografias de frente e perfil de ambos os joelhos e liberado com encaminhamento para unidade básica de saúde para realização de fisioterapia com diagnóstico de contusão em joelhos.
Paciente mantinha impotência funcional, dor e edema em região anterior do joelho. Desde o episódio não conseguia mais deambular e ficou restrito a uma cadeira de rodas.

 

 

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Antecedentes pessoais:

Tabagismo, hipertensão, diabete e insuficiência renal crônica dialítica há 9 anos.

 
Exame físico:

- Incapaz de realizar extensão ativa de ambos os joelhos;

- Amplitude de movimento passiva livre;

- Gap palpável de tendão quadricipital bilateral;

- Restrito à cadeira de rodas, incapaz de ficar em posição ortostática.

 
Diagnóstico:

USG: Rotura completa de tendão quadricipital bilateral com retração de 7,3 cm do lado direito e 7,4 cm do esquerdo;
RNM: Rotura completa de tendão quadricipital bilateral.

 
Tratamento Proposto:

Reparo do tendão quadriciptal bilateral simultâneo com via anterior ampla. Pontos transósseos pela patela e reforço com tendões flexores de banco de tecidos associados à cobertura do reparo com enxerto de fáscia lata, no intuito de mimetizar o retinaculo anterior do joelho, de banco de tendões fibulares e fáscia lata.

 
Seguimento clínico:

O paciente foi mantido com brace em extensão por 6 semanas. Durante as primeiras seis semanas foram realizados somente exercícios isométricos para o quadríceps, glúteos, adutores e abdutores.
O ganho de amplitude de movimento (ADM) passivo iniciou com três semanas, de 0-45º, evoluindo para 60º na quarta semana, e então liberado ganho de ADM ativo na sexta semana, alcançando 0-130º na décima semana.
Os pontos foram retirados com três semanas de pós-operatório e o paciente não teve qualquer problema de cicatrização. Foi mantida medicação anticoagulante até o término do uso do brace.
Na oitava semana paciente iniciou treino de marcha com auxilio de barras paralelas, seguindo para andador, bengala e posteriormente sem apoio.
Em virtude de realizar diálise em dias alternados, paciente teve dificuldade de seguimento fisioterápico, conseguindo fazer exercícios no máximo 2 vezes por semana.
Com 3 meses de pós-operatório o paciente se encontra muito satisfeito com seu nível de atividade.

 
Discussão:

Mesmo demorando 3 meses para o retorno da função anterior a lesão, acreditamos que a recuperação da amplitude de movimento total, sem lag de extensão e com forca normal do quadríceps foi um resultado excelente devido a idade e comorbidades do paciente. Neubauer et al mostraram recuperação total em apenas 3 de 14 pacientes com lesão operada a mais de 14 dias e Wenzl et al mostraram bom resultado em apenas um de cinco pacientes, sendo que o mesmo era um jovem de 20 anos operado com 3 meses de lesão (8,9).

 
Resultado final:

Em resumo, acreditamos que o tratamento cirúrgico de lesões crônicas pode apresentar bons resultados desde que a reabilitação seja criteriosa e sejam utilizados métodos adicionais de reforço ao simples reparo cirúrgico. O enxerto de fáscia lata ainda não havia sido utilizado para esse fim de acordo com os artigos que temos conhecimento da literatura atual e pode ser mais uma opção aos serviços que tem disponibilidade de banco de tecidos.

 

 

 

 

Informações sobre o autor

Nome: Dr José Ricardo Pécora
Co-autor: Dr. Fábio Agelini

Cidade: São Paulo Estado: SP
Hospital: Hospital das Clínicas Departamento: Faculdade de Medicina da USP

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